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Graduada em Educação Física-Licenciatura Plena UFES. Especialista em Docência do Ensino Superior - UFC. Mestrado em Desenvolvimento Humano e Tecnologias - UNESP - Rio Claro/SP.
(...) não morro sem ver a Capoeira reconhecida como Educação Física, e das boas. [...] Que linda a educação que encanta, jogada, dançada, cantada. João Batista Freire (SILVA; HEINE, 2008, p.16).

sábado, 25 de junho de 2011

A Capoeira

De acordo com Silva e Gonzalez (2010), a Capoeira é uma significativa expressão da cultura afro-brasileira, representada por uma luta de resistência contra a escravidão, uma vez ter nascido da síntese de diversas etnias africanas, em terras brasileiras. Abrange múltiplas possibilidades conceituais, podendo ser definida como luta, jogo dança, brincadeira, esporte, filosofia de vida, dentre outros, tendo na luta sua mais significativa expressão (CAMPOS, 2001; OLIVEIRA, 2009).
            A trajetória histórica da Capoeira foi marcada por muitas perseguições policiais, repressão, prisões, racismo e outras formas de controle social, chegando a ser incluída no Código Penal Brasileiro de 1890, como contravenção. O capoeirista era visto como um tipo social que estava à margem da sociedade, os negros, mesmo libertos, sofriam grande opressão e preconceito aos seus costumes, religião e a sua cultura (VIEIRA, 1998; CAMPOS, 2001).
 Nas figuras de dois respeitados Mestres, Mestre Bimba e Mestre Pastinha, a Capoeira, mesmo neste contexto opressivo, sobrevive com a magia inerente a ela. Concorda-se com Silva e Heine (2008), quando afirmam que praticar Capoeira é interagir com a identidade cultural brasileira realizando um elo harmônico entre corpo e mente, valorizando as potencialidades humanas, e talvez por isso, mesmo sob repressão, ela tenha sobrevivido, conquistando diferentes espaços, escolares ou não. 
Após muitas opressões e resistências a Capoeira é reconhecida, em 2008, como o mais recente bem cultural registrado pelo governo brasileiro, se tornando patrimônio nacional, por indicação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, órgão do Ministério da Cultura (IPHAN/MinC), o que possibilita o desenvolvimento de medidas governamentais que contribuem para a sua evolução e disseminação.
Contudo, percebe-se que, apesar das suas características e dos seus elementos de singular beleza, realizados em um diálogo simbólico, plural e cooperativo, e ainda, de todo o fascínio e o prazer que a prática da Capoeira exerce, percebe-se que este tema da cultura corporal ainda não se faz presente de forma satisfatória nas escolas, e mais especificamente, nas aulas de Educação Física, pois se apresenta na maioria delas, como atividade extracurricular, ou como projeto à parte. 
O que se quer é uma “Capoeira da escola” para que possa ser utilizada em todas as suas multifaces de luta, de arte, de ritmo, de jogo, de instrumentação, de brincadeira, de expressão corporal, de historicidade, conforme expressa-se Freire (2008), ao prefaciar a obra “Capoeira, um instrumento psicomotor para a cidadania” de Silva e Heine (2008), comenta:
(...) não morro sem ver a Capoeira reconhecida como Educação Física, e das boas. (...) Integrar a Capoeira na Educação Física é simplesmente dizer que nossa educação deve ter como ponto de partida aquilo que nos faz mais brasileiros. (...) É a vida que se joga na roda, a vida como ela é, como nós somos. (...) Que lindo o jogo que se joga cantando (...) que linda a educação que encanta, jogada, dançada, cantada (SILVA; HEINE, 2008, p.16. Prefácio de João Batista Freire).

Como tema da cultura corporal, conceito fundamental da área da Educação Física, é possível tratar dos Temas Transversais, por meio da Capoeira, aproveitando-se de seus rituais, códigos e fundamentação. Relacionar, por exemplo, a ética existente na roda de Capoeira, para abordar esta temática como um todo, desenvolvendo no aluno a possibilidade de utilizá-la em outros momentos de sua vida, sendo capaz de transformar sua realidade. 

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